Porto de Santos confirma que embarque de carga viva já está suspenso por tempo indeterminado

Na última quinta-feira (11), noticiamos que o Porto de Santos havia anunciado a suspensão do embarque e desembarque de carga viva em seus terminais (relembre aqui). O documento apresentado, porém, não mostrava uma data a partir da qual a medida valeria. Na sexta-feira (12), contudo, a Assessoria de Comunicação Social do Porto de Santos emitiu […]

Powered by WPeMatico

Leia Mais

Como um câncer aos 37 anos mudou minha vida

Carly Appleby teve câncer diagnosticado em fevereiro de 2017

Carly Appleby teve câncer diagnosticado em fevereiro de 2017
BBC BRASIL

Carly Appleby não ficou convencida quando os médicos descartaram um pequeno nódulo em seu seio, que parecia insignificante. Em fevereiro de 2017, ela foi diagnosticada com câncer de mama em estágio 3, localmente avançado. Aqui, a jovem mãe de 37 anos descreve o impacto da notícia e sua jornada desde então.

“Fazia um dia lindo e ensolarado em Costwolds (cadeia de pequenas colinas no centro da Inglaterra) quando fui diagnosticada com câncer de mama em estágio 3 – o que significa que ele já havia se espalhado para além da área do tumor inicial, que, no meu caso, foi nos linfonodos do braço.

Ainda na clínica, sentei, com meu marido do lado. Nós dois estávamos atordoados. Tenho 37 anos, sou uma mulher em forma e saudável – ou ao menos era isso que eu pensava -, sem nenhum histórico de câncer de mama na família.

A princípio, quando fui à consulta com minha ginecologista, ela descartou a possibilidade na hora. Passou menos de cinco minutos me examinando, encontrou um nódulo no meu seio – menor do que um grão de arroz, duro. ‘Provavelmente é algo hormonal. Nada para se preocupar. Volte só se ele não for embora em algum tempo’, disse ela tranquila.

Alguns meses se passaram e eu percebo que, sim, ele ainda está ali. Volto ao médico, desta vez para ver outro ginecologista. Ele me examina melhor, mas a conclusão é a mesma: ‘Provavelmente, é um caroço gorduroso’, diz. Um sinal de que estou ficando velha, eu penso.

Mas me incomoda. Aquilo não parece certo. Meu seio esquerdo doi quando minha filha de três anos brinca comigo ou me abraça.

Pedi para ir a uma clínica especializada e levei minha mãe para me dar apoio moral. Estava nervosa.

O médico me examina e diz: ‘Não acho que seja nada para você se preocupar’. Infelizmente, não foi o que a ultrassonografia e a mamografia mostraram. Eu tinha uma área grande de calcificação – que costuma ser o sinal do início do câncer de mama. Eles fizeram uma biópsia dolorida e avaliaram os linfonodos embaixo do meu braço.

Todo esse processo teve um impacto enorme em mim. Eu nunca tinha pensado sobre minha própria morte. Eu ainda pensava em mim como uma jovem mulher, não como uma mãe de meia-idade. Mas nessa hora eu cheguei a pensar que não veria mais minha própria filha crescer.

Fiquei ansiosa sobre contar a outras pessoas sobre meu diagnóstico, mas eu queria conscientizar minhas amigas sobre o problema, então decidi usar as redes sociais. As respostas de apoio se multiplicaram.

O tratamento começou logo. Eu precisava de seis ciclos de quimioterapia, tinha que remover glândulas linfáticas de meu braço esquerdo, fazer uma mastectomia e, em seguida, radioterapia. Seria um longo ano, mas, ao menos, eu esperava estar livre do câncer no final dele.

O primeiro ciclo de quimioterapia não foi tão assustador quanto imaginei. Outros remédios foram aplicados em injeções lentas em uma cânula na minha mão. Todo o processo demorava três horas – e, enquanto isso, eu bebia muito chá.

Eu me sentia péssima nos dias que se sucediam ao tratamento. Era como estar de ressaca, só que sem a parte boa de uma noite toda bebendo. Não tinha energia nenhuma, não tinha apetite, me sentia doente, com muita sede e tudo doía. Ficava muito mal e desanimada. Mas depois disso, começava a me sentir mais normal.

 

Unidade móvel de quimioterapia para tratamento de câncer

Unidade móvel de quimioterapia para tratamento de câncer
BBC BRASIL

Fiquei feliz com o início do tratamento. Eu pensava na quimioterapia varrendo o câncer para fora meio que como em um jogo de computador – como se o Pac-Man estivesse devorando todas as células ruins do câncer. Zap, zap, zap.

‘Eu vou perder meu cabelo?’, foi uma das primeiras perguntas que fiz ao médico que, obviamente, confirmou o que eu temia. Posso parecer vaidosa, mas acho que essa foi uma das coisas mais difíceis em todo o processo desde que soube do diagnóstico.

Comecei a procurar perucas. “Que tal uma peruca loira, mãe?”, perguntou minha filha. “Aí você pode ficar mais parecida comigo!”. Eu me fortaleço com o companheirismo dela. Juntas, escolhemos uma peruca de cabelo loiro e curto.

Decidimos que minha peruca precisa de um nome. Pensei em Betty ou Bertha, aí meu marido sugeriu “Chewbacca”, do Star Wars, e minha filha veio com “Hairy Maclary from Donaldson’s Dairy”, um de seus livros favoritos. A gente riu bastante indo para casa.

Alguns dias depois, cortei o cabelo o mais curto possível. Queria diminuiu o choque que sentiria quando começasse a cair. Faz bem quando você está no controle disso.

Mandei à família e aos amigos a foto do meu cabelo curtinho. “Você parece mais jovem”, disse minha irmã. Não acreditei nela.

Em todo o processo, minha filha parecia não estar entendendo muito bem o que estava acontecendo. Ela me perguntou se também iria perder cabelo e disse que não queria me ver careca. “Quem queria?”, eu penso comigo mesma. Decidimos comprar uma peruca de brinquedo para ela.

Mas ela ainda ficava confusa com a quantidade de presentes que recebia. Houve uma onda enorme de cartões, flores, mensagens de esperança…e comida! Muita comida deliciosa! É engraçado como as pessoas reagem de forma diferente a essas notícias que todos temos que processar.

Meses depois, eu não me reconhecia mais no espelho. Inchada por causa dos esteroides, não tinha mais cílios, nem sobrancelhas, e estava careca.

 

Carly Appleby usou essas perucas para esconder a queda de cabelo

Carly Appleby usou essas perucas para esconder a queda de cabelo
BBC BRASIL

Eu olhava invejosa para a cabeça do meu marido e dizia: “Mal posso esperar para ter a mesma quantidade de cabelo que você!” Nós dois ríamos – ele nem tem muito cabelo, mas já tinha mais do que eu.

No dia da cirurgia, eu fiquei um pouco vulnerável por ser operada sem ter nenhum cabelo. Eu estava sempre com lenços na cabeça ou então com minhas perucas – nós demos o nome de Betty para uma e Brunetti para outra. Mas eu não podia ter nenhuma delas comigo na cirurgia.

Quando voltei dela, não conseguia me mexer. Minhas pernas estavam cobertas por uma manta, que se move para cima e para baixo para evitar a coagulação do sangue. Tinha um tubo de oxigênio no meu nariz e eu estava com um catéter. No meu braço havia um dreno, e o líquido dentro dele me lembrava um milkshake de morango.

Eu podia apertar um botão para aliviar a dor, mas eu não reagia bem à morfina.

Optei pela reconstrução imediata do meu seio, o que significava um expansor de silicone temporário. Quando olhei pela primeira vez para o meu peito após a cirurgia, fiquei decepcionada em ver que estava praticamente reto. O implante iria inflar gradualmente para esticar a pele restante.

Minha cirurgiã disse que a operação havia sido bem-sucedida e que ela não detectara mais traços de tumor. Ela me visitava duas vezes durante o turno dela, parecia realmente se importar comigo – tinha mais ou menos a minha idade.

Na recuperação, eu tinha dificuldades para me mexer, para dormir e me vestir, então fiquei no hospital por cinco dias. Meu marido me visitava com minha filha, que fez quatro anos nesse meio tempo. Ela insistia em carregar meu dreno para o banheiro para mim. Ele tinha que me acompanhar em todos os lugares. Até que finalmente o removeram do meu braço – mas a dor que você sente quando isso acontece é como se alguém tivesse puxando uma corda de dentro de você.

Nas semanas seguintes, meu expansor no peito foi inflado com 50 ml de soro injetadas de cada vez . “Quantas são necessárias?”, eu perguntei. “Quatrocentas”, respondeu minha médica, “o peso do seu antigo seio”.

“Então há uma ciência por trás disso”, repliquei. Nós duas rimos na hora.

Mas eu fiquei chateada ao ver minha cicatriz. Não tinha cabelo, não tinha peitos, não tinha menstruação. O câncer de mama realmente rouba tudo o que é feminino em você. Mas eu estou viva! E o câncer já está fora de mim.

 

Carly Appleby comemorou quando os cílios voltaram a crescer

Carly Appleby comemorou quando os cílios voltaram a crescer
BBC BRASIL

Eu também tenho o conforto das muitas mulheres jovens que também estão passando pela mesma situação. A Younger Breast Cancer Network (Rede Jovem de Câncer de Mama, em tradução livre) é um grupo online com mais de 3 mil mulheres com menos de 45 anos que compartilham suas experiências umas com as outras.

Outro dia, olhei no espelho e vi que meus cílios tinham voltado. Que momento incrível! Meu cabelo também começou a crescer de novo. Aos poucos, minha energia está voltando.

Cinco semanas depois da minha cirurgia, eu soube que havia tido uma resposta patológica completa. Era a melhor notícia possível! Significa que não há mais nenhum sinal de câncer nem no seio, nem em nenhum lugar. O tumor foi completamente erradicado pela quimio. Pac-Man realmente devorou todas aquelas células cancerosas.

Leva um tempo para você se acostumar com o fato de que não há mais evidência nenhuma da doença depois de meses de ansiedade.

Tenho uma tomografia agendada para fazer a preparação para a radioterapia e minha primeira tatuagem: três pequenos pontos verdes para que os técnicos possam saber onde alinhar a aplicação.

Também tomo injeções de quimio a cada três semanas na coxa e comecei a fazer um tratamento hormonal que fará parte da minha rotina diária pelos próximos 10 anos, uma tentativa de impedir o câncer de voltar.

Mas tudo isso combinado faz com que eu tenha sintomas de menopausa. As ondas de calor e as noites de suadeira são mais duas coisas que estou tendo que lidar aos 30 anos.

 

Carly Appleby tocando o sino para celebrar o fim do tratamento

Carly Appleby tocando o sino para celebrar o fim do tratamento
BBC BRASIL

Passei por 15 sessões de radioterapia, indo todos os dias ao hospital para o tratamento. Nas redes sociais, descobri que muitos pacientes tocavam um sino no dia que terminavam a última sessão. Consegui que instalassem um na unidade oncológica do hospital onde eu estava e logo bati o sino bem alto para marcar o fim do meu tratamento – todos aplaudiram em volta. Não acredito que acabou!

Alguém me disse uma vez que ter câncer faz você perceber o quanto é amada. Agora que acho que cheguei ao fim dessa jornada, posso dizer que isso é a mais pura verdade.”

Powered by WPeMatico

Leia Mais

7 Receitas de Couve Refogada Light

Couve refogadaA couve é um vegetal super presente nos pratos dos brasileiros, principalmente para acompanhar a tradicional feijoada. Mas não é só quando tem feijoada que você pode e deve comer a couve. A couve é um vegetal barato, acessível a todos e que traz muitos benefícios para a saúde e boa forma. Sabe-se que a …

Powered by WPeMatico

Leia Mais

5 métodos e substâncias surpreendentes usados no passado para aliviar a dor

Ilustração de um médico antigo

Ilustração de um médico antigo
BBC BRASIL

Ter à disposição um comprimido para aliviar a dor é algo bastante moderno. No entanto, a dor tem sido parte da existência humana ao longo de nossa história.

Nos séculos passados, era preciso apelar para substâncias como éter, animais como peixes elétricos e até procedimentos como um enema com fumaça de tabaco.

Confira alguns destes métodos.

1. Éter

O composto conhecido como éter, ou éter etílico, já era usado muitos séculos antes da sua eficácia como anestésico ser conhecida.

Os seus principais usos medicinais eram o tratamento de infecções pulmonares e do escorbuto – embora o composto também fosse usado como uma droga recreativa.

 

O clorofórmio acabou substituindo o éter

O clorofórmio acabou substituindo o éter
BBC BRASIL

Foi precisamente esse uso que levou à sua descoberta como analgésico.

Um médico chamado Crawford Long percebeu que seus amigos, quando se entorpeciam com éter, paravam de sentir dor quando feridos ou agredidos.

Ele começou a explorar as possibilidades do uso do éter durante intervenções médicas. A substância passou a ser usada como anestésico em 1842.

Embora seja relativamente seguro, o éter pode causar náuseas e vômitos – e por isso deixou de ser usado a partir do início do século 20.

O éter é também inflamável, outra característica que contribuiu para o fim do seu uso.

Por tudo isso, ele foi substituído pelo clorofórmio, que também tem a vantagem de ter uma ação muito mais rápida.

2. Cascas de salgueiro

As cascas de salgueiro foram usadas na Mesopotâmia a partir do ano 4.000 a.C. e na China e na Europa a partir de 400 a.C. Ela era mastigada para tratar da febre e de inflamações.

Hoje, ela está comercialmente disponível em cápsulas, em pó ou em estado bruto. Acredita-se que funcione para combater dores de cabeça, dores causadas por artrite óssea e dores na região lombar.

 

O princípio ativo da casca de salgueiro é o mesmo da aspirina

O princípio ativo da casca de salgueiro é o mesmo da aspirina
BBC BRASIL

Seu ingrediente ativo é o mesmo da aspirina, cujo princípio químico é o ácido acetilsalicílico e tem em sua origem a salicina, presente na casca da árvore.

A salicina funciona quando combinada com outros compostos presentes na casca: flavonóides e polifenóis.

Alguns estudos sugerem que esta mistura pode ser tão efetiva quanto a aspirina no alívio da dor e de inflamações, e em doses muito menores.

Seus efeitos colaterais são geralmente suaves e acredita-se que seu efeito negativo no sistema gastrointestinal possa ser menor que o anti-inflamatório ibuprofeno, por exemplo.

No entanto, está documentada também a possibilidade desta mistura, usada durante uma infecção viral, causar a Síndrome de Reye, uma doença rara que pode levar a danos no cérebro e no fígado, assim como a aspirina.

3. Esponja soporífera

A esponja soporífica, usada na Europa entre os séculos 11 e 17, foi a antecessora dos anestésicos atuais. Seu uso consistia em molhar uma esponja do mar em uma mistura de extratos de plantas e depois secá-la ao sol.

Em seguida, a esponja era mergulhada em água quente e colocada sob o nariz do paciente antes da cirurgia.

 

As esponjas marinhas secavam ao sol

As esponjas marinhas secavam ao sol
BBC BRASIL

Para acordá-lo após a operação, a esponja era mergulhada em vinagre quente.

A receita original dizia que a mistura de extratos de plantas deveria incluir ópio, mandrágora, cicuta e meimendro (uma planta conhecida por seu efeito narcótico).

Embora ao longo dos séculos outros ingredientes tenham sido acrescentados para tentar aumentar o efeito sedativo, estes quatro ingredientes originais sempre foram mantidos.

Há relatos de médicos escritos ao longo dos séculos sobre seus resultados, e hoje sabemos que os quatro ingredientes de fato tinham efeitos sedativos e paralisantes. Por isso, eles podem ser considerados eficazes.

Ao longo do tempo, no entanto, a solução perdeu popularidade.

4. Enema com fumo de tabaco

No final dos anos 1700, pensava-se que para ressuscitar as pessoas que se afogavam, elas precisavam ter o corpo aquecido e a respiração estimulada.

 

Fumo de tabaco no ânus? Não, obrigado

Fumo de tabaco no ânus? Não, obrigado
BBC BRASIL

Na Inglaterra, médicos adaptaram um método usado pelos nativos americanos para tratar da constipação em cavalos: a inserção de fumo de tabaco no reto.

Naquela época, o tabaco havia acabado de chegar ao país e acreditava-se que o fumo curava a constipação, a dor do estômago, secava o corpo internamente e proporcionava estímulos.

No início, utilizava-se um cachimbo, até que foram percebidos os riscos causados pela inalação de chumbo – levando à criação de um conjunto de equipamentos, como tubos mais longos.

Pessoas que ofereciam tratamentos com enema de tabaco começaram a se instalar nas margens do rio Tâmisa, em Londres. O procedimento passou a ser usado até para tratar dores de cabeça.

Por vola de 1811, cientistas descobriram os efeitos negativos da nicotina e de outras substâncias contidas no tabaco no organismo humano, e a prática foi abandonada.

5. Peixe elétrico

No Egito Antigo, um método para curar dores nas articulações ou dores de cabeça consistia no uso da estimulação nervosa fornecida pelos peixes elétricos.

 

'Tratamento' com peixes elétricos tem alguma semelhança com método atual, a eletroestimulação percutânea

‘Tratamento’ com peixes elétricos tem alguma semelhança com método atual, a eletroestimulação percutânea
BBC BRASIL

Isto era feito da seguinte maneira: ou a parte do corpo dolorida era posicionada em uma tigela ao lado do animal, ou o peixe era diretamente colocado em contato com o paciente.

Ele tem alguma semelhança com um método atual conhecido como eletroestimulação percutânea – em que eletrodos ou agulhas finas são usados na pele para emitir pequenos impulsos elétricos.

No entanto, existem controvérsias sobre a eficácia da estimulação elétrica como método para aplacar alguns tipos de dor.

Powered by WPeMatico

Leia Mais

As mulheres indianas que estão descobrindo novos medicamentos dentro de suas casas

Tanusree Chaudhuri (no centro) com duas de suas colegas de pesquisa em trabalho remoto

Tanusree Chaudhuri (no centro) com duas de suas colegas de pesquisa em trabalho remoto
BBC BRASIL

Tanusree Chaudhuri, de 34 anos, estava grávida de seu primeiro filho quando seu supervisor lhe disse que ela teria que abandonar seus sonhos. Ela estava fazendo um doutorado em biologia computacional e queria ajudar a melhorar a saúde das pessoas.

“Ele me disse: você é casada agora, por que precisa de um doutorado? Você tem que cuidar da sua família “, lembra.

Os planos da jovem incluíam trabalhar na descoberta de novos medicamentos e continuar seus estudos em um prestigiado instituto perto de Calcutá, na Índia.

Mas quando ela se casou e se mudou para Hyderabad, por conta do trabalho do marido, Chaudhuri se deparou com a resistência cultural.

“É esperado das mulheres casadas o cuidado com a família porque, sem a família, não somos nada. Não se espera que desejemos o privilégio de pensar e fazer pesquisa.”

Laboratório online

Mesmo não sendo estimulada a continuar, a jovem encontrou num laboratório virtual online a oportunidade de participar, mesmo de casa, das pesquisas.

A plataforma Open Source Drug Discovery (OSDD) foi criada pelo governo indiano e permitia que os cientistas colaborassem remotamente, buscando moléculas que pudessem ser transformadas em medicamentos úteis.

Trabalhar em casa se adequava às necessidades de Chaudhuri e de seu bebê – além de ajudá-la a chegar mais perto do seu sonho.

“Conheci muitas pessoas diferentes (virtualmente). Lembro-me de uma garota que era de um lugar muito remoto. Mas conseguimos trabalhar juntas porque nos falávamos pelo Skype. Nunca nos conhecemos pessoalmente”, lembra a indiana.

 

Ayisha Safeeda veio de uma família tradicional, mas conseguiu intercalar os estudos com a amamentação do filho

Ayisha Safeeda veio de uma família tradicional, mas conseguiu intercalar os estudos com a amamentação do filho
BBC BRASIL

Existem muitas outras plataformas de código aberto na comunidade científica, cada uma com sua própria especialidade, desde a análise genômica até pesquisas sobre o câncer.

Muitas mulheres em toda a Índia e em outras economias emergentes estão descobrindo nelas uma ferramenta para libertação.

Depois que a plataforma do governo indiano fechou em 2016, Chaudhuri e suas colegas começaram a trabalhar para outra organização, a Open Source Pharma Foundation (OSPF), uma parceria entre profissionais da indústria farmacêutica e acadêmicos.

O objetivo do programa é descobrir medicamentos acessíveis, e cientistas de todo o mundo trabalham nela remotamente.

Entre os livros e a amamentação

Ayisha Safeeda, de Kuttichira, no estado de Kerala, vem de uma família muçulmana muito tradicional e vive em uma área remota. Mas ela conseguiu seu diploma de mestrado através de uma plataforma de pesquisa colaborativa.

“Mesmo que eu amamente meu bebê, posso ler pesquisas e trabalhar no meu laptop. Então, as mulheres que têm um grande potencial mas estão atadas à família devem dar este passo”, diz Safeeda.

Chaudhuri desenvolve softwares para plataformas colaborativas em diferentes disciplinas, como Biologia e Física.

Rakhila Pradeep, outra pesquisadora virtual do Estado de Tamil Nadu, diz que ela sempre adorou pesquisas, mas se viu diante da impossibilidade de acessar instituições de ensino.

“O esforço diário para acessar universidades distantes da nossa aldeia é uma jornada pesada e não é prática para nós”, afirma.

“Não conseguimos nos afastar de nossos filhos e parentes idosos por muitos dias.”

 

Rakhila Pradeep diz que a distância de sua aldeia rural dos centros de pesquisa a impediu por anos de fazer o que mais gosta: estudar

Rakhila Pradeep diz que a distância de sua aldeia rural dos centros de pesquisa a impediu por anos de fazer o que mais gosta: estudar
BBC BRASIL

O especialista em biologia computacional UC Jaleel supervisionou muitos dos projetos realizados por estas qualificadas profissionais, e diz que elas são uma fonte inexplorada de talentos.

Relembrando seus dias de faculdade, ele diz que normalmente as estudantes superavam em número – e desempenho – seus contemporâneos homens. Mas em algum momento elas desapareceriam.

“Essas mulheres eram altamente educadas, mas a maioria delas acabaram como donas de casa depois de se casar.”

Jaleel acredita firmemente no modelo das plataformas abertas, particularmente se elas puderem levar medicamentos mais baratos às famílias mais pobres do mundo.

“O objetivo comum é reduzir o tempo e o custo da descoberta de medicamentos, conectar o potencial humano desconectado e mobilizá-lo para fins humanitários”, diz ele.

Conectividade ainda é obstáculo

Tanusree Chaudhuri e suas filhas

Tanusree Chaudhuri e suas filhas
BBC BRASIL

Els Torreele, diretora executiva da campanha de acessibilidade da organização Médicos Sem Fronteiras, acredita que ações colaborativas podem ter um papel importante na descoberta de medicamentos acessíveis.

“As colaborações abertas de pesquisa são uma estratégia crucial para avançar e possivelmente acelerar a inovação médica, inclusive na área de doenças negligenciadas, onde o compartilhamento de conhecimento é ainda mais crítico do que em outros campos.”

A Open Source Pharma Foundation, onde trabalha Tanusree Chaudhuri, está em seus estágios iniciais. Por isso, ainda enfrenta desafios como o pouco acesso à internet em muitas áreas rurais.

O financiamento é outra preocupação, embora a fundação tenha recebido verbas do fundo indiano Tata Trusts.

Mas Chaudhuri, que não só tem um título como PhD mas agora é professora assistente, diz que ela e suas alunas planejam trabalhar para que plataformas colaborativas se expandam.

“Sonhar é proibido para para nós, meninas indianas, a menos que tenhamos esse tipo de oportunidade”, afirma.

“Precisamos ter nossos próprios sonhos e nosso próprio sustento.”

Powered by WPeMatico

Leia Mais

Os idosos que vão passar o Natal sozinhos

Lembranças do Natal pioram a solidão de idosos

Lembranças do Natal pioram a solidão de idosos
Foto: Getty Images

A poucos dias do Natal, Vera*, 68, começou a passar mal. Estava apresentando diversos sintomas de doenças e disse à sua psicóloga que queria morrer e que a vida não tinha sentido.

Ex-executiva de sucesso, a brasileira já morou no exterior, acumulou patrimônio durante a vida, mas entrou em depressão desde que o marido morreu e ela parou de trabalhar. Hoje mora em uma instituição de longa permanência para idosos.

Ela tem dois filhos, mas a filha tem problemas com dependência química e o filho não sabe se conseguirá ir ver a mãe no Natal.

“A solidão dos idosos aumenta muito nessa época do ano”, diz a psicóloga Margherita de Cassia Mizan, especializada em gerontologia e pesquisadora na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). “Casos como esse são muito comuns. Eles começam a ‘descompensar’: passar mal e apresentar sintomas, entrar em depressão.”

Mizan trabalha com idosos em situação de fragilidade — os que já não têm condições para estar socialmente integrados sem ajuda.

“Fala-se muito dos idosos ativos e saudáveis, e é importante mostrar que é possível envelhecer bem, mas nisso acaba-se esquecendo os mais frágeis”, diz ela. Segundo a psicóloga, a vulnerabilidade pode ser em vários aspectos: físico, psicológico, de integração social. “É a bisavó que não reúne mais a família porque não cozinha, o vovô que não consegue ir ao banheiro sem ajuda.”

“Alguns de mais de 80 anos já ficaram viúvos e os filhos também morreram. No Brasil ainda se abandona muitos idosos em hospitais — a família deixa quando está doente e desaparece. Há muitos que até têm dinheiro, mas ficam sozinhos em instituições.”

São pessoas que passam o ano todo convivendo com a solidão, mas o sentimento se agrava próximo ao fim do ano, com a chegada do Natal e do Ano-novo

“Nessas datas fica uma atmosfera de trocas afetivas. Vêm as lembranças de passar o feriado em família”, diz Mizan. “Também há um esvaziamento da rotina normal que agrava a sensação de vazio.”

 

Isolamento e solidão contribuem para doenças graves

Isolamento e solidão contribuem para doenças graves
Foto: Getty Images

Embora a questão do envelhecimento da população ainda esteja atrasada no Brasil, o problema não é comum só aqui.

A viúva Val, de 76 anos, que mora sozinha em Newport, no Reino Unido, diz que não aproveita o fim do ano.

“Não posso fazer nenhum plano para o Natal. Preciso passar por tudo da melhor forma que puder”, afirma. “Presumo que minha filha até faça uma visita, mas não vejo a hora que o Natal acabe. Há muitas cadeiras vazias agora. Eu costumava ter a casa cheia.”

Val recebe ligações semanais de um serviço de apoio emocional chamado Silver Line, o que ela diz ter lhe dado grande conforto.

Solidão crônica

A ong Age Cymru estima que 1,2 milhão de pessoas com mais de 65 anos sofram de solidão crônica no Reino Unido.

A entidade diz que a solidão, se não combatida, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças graves como infartos, demência e problemas de saúde mental.

 

Alguns idosos ficam meses sem falar com ninguém

Alguns idosos ficam meses sem falar com ninguém
BBC BRASIL

Getty Images 

 

O serviço Silver Line disse que recebeu o recorde de 25 mil ligações só nas duas primeiras semanas de dezembro. A presidente da instituição de caridade, Dame Rantzen, diz que muitas ligações são de pessoas mais velhas que ficam sozinhas em casa e não falam com ninguém por dias e semanas – nem mesmo com a família.

“O sentimento de estar sozinho é exacerbado pelas memórias e por todo o imaginário e o foco da mídia em torno de pessoas se divertindo com a família e amigos”, diz ela.

 

Woodman e Sharp reúnem pessoas solitárias no Natal

Woodman e Sharp reúnem pessoas solitárias no Natal
Foto: Divulgação

BBC

 

Para Mizan, além de serviços de apoio à idoso, é preciso haver políticas públicas de educação para o envelhecimento. “A gente vê que em muitos casos [o afastamento da família] não é uma questão de crueldade, mas de falta de informações sobre como lidar [com o idoso] e até falta de condições psicológicas de lidar com o declínio de uma pessoa amada”, afirma.

Um pouco de calor

Colin Sharp, prefeito da pequena cidade de Milford Haven, no Reino Unido, organiza há seis anos um evento para reunir pessoas que passariam o Natal Sozinhas.

Ele e seu marido, Guy Woodman, recebem convidados para um almoço, jogos e entretenimento do centro comunitário da cidade. Os participantes, mais de 70% idosos, são indicados pelo serviço de saúde e 38 voluntários ajudam a organizar a festa.

“Alguns histórias são muito tristes. Uma senhora estava nos contando que, além da cuidadora que vem duas vezes por semana, ela não via mais ninguém desde outubro”, diz Sharp.

Outras pessoas mais jovens têm histórias de perdas de pessoas amadas nessa época do ano, segundo Sharp.

No Brasil, diversas iniciativas viralizaram na internet ao reunir desejos de Natal de idosos que vivem em abrigos – alguns são muito simples, como um travesseiro novo ou um perfume. Outros dizem que queriam um abraço do filho que não veem há tempos ou a chance de caminhar uma última vez.

A Casa do Idosos Amor à Vida, em Luziânia (GO), e o abrigo Joaquim Monteiro de Carvalho, em Picos (PI) são algumas das instituições que lançaram campanhas do tipo.

Quem estiver se sentindo sozinho e precisar de apoio emocional pode ligar para serviços como o CVV (Centro de Valorização da Vida).

Com informações da BBC Wales e de Letícia Mori, da BBC Brasil em São Paulo.

*O nome foi trocado para preservar identidade da pessoa

Powered by WPeMatico

Leia Mais

10 Receitas de Panqueca Fit

Panqueca fitUma versão saudável de panqueca fit pode ser mais indicada para consumo de quem se preocupa com a boa forma, pois contém mais quantidades de fibras e pode ter menos carboidratos. Pode levar aveia, tapioca, bem como outras farinhas como a de arroz, a de feijão, de quinoa ou outras no preparo. Pode até ser …

Powered by WPeMatico

Leia Mais

São Bernardo do Campo-SP: polícia fecha matadouro de bois e cavalos que vendia carne

Cerca de 54 animais de grande porte precisam urgentemente de adotantes vegetarianos após o fechamento de um matadouro clandestino em São Bernardo do Campo, São Paulo. O local matava tanto bois quanto cavalos para venda de carne. Segundo informações publicadas pela ativistas vegana e apresentadora Luisa Mell (veja aqui), os animais eram mortos com marretadas […]

Powered by WPeMatico

Leia Mais