Duas pessoas morrem por febre amarela em Bragança Paulista

Bragança Paulista confirma morte por febre amarela

Bragança Paulista confirma morte por febre amarela
MARCELO FONSECA/ESTADÃO CONTEÚDO – 22.01.2018

A prefeitura de Bragança Paulista, interior de São Paulo, confirmou duas mortes causadas pela febre amarela no município. As vítimas são homens de 52 e 74 anos respectivamente. A Secretaria de Saúde da cidade investiga ainda uma morte suspeita.

Em todo o Estado, 75 pessoas morreram com febre amarela desde janeiro do ano passado, conforme boletim da Secretaria da Saúde.

São 64 casos autóctones – em que a pessoa se contaminou em sua região – e 11 importados. Há ainda 28 casos em investigação. Uma das mortes confirmadas em Bragança Paulista ainda não entrou no boletim da pasta estadual.

A cidade é vizinha de Atibaia, onde foram confirmadas 12 mortes pela febre amarela, segundo a Secretaria. Em Bragança, os dois óbitos aconteceram em janeiro. As vítimas eram moradoras do Bairro Morro Grande, na zona rural, na divisa com o município de Atibaia. Na região também foram achados macacos mortos com a doença.

No total, 82 macacos foram recolhidos no município e, destes, 65 apresentaram o vírus. Conforme a prefeitura, 128 mil pessoas foram vacinadas contra a doença – 75% da população. A cidade recebeu doses extras do imunizante para intensificar a vacinação.

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'Você só aprende a viver quando sabe o que é morrer': as histórias de quem vive com HIV desde os anos 80

Leiry Maria Rodrigues descobriu que convivia com HIV aos 25 anos, em 1989

Leiry Maria Rodrigues descobriu que convivia com HIV aos 25 anos, em 1989
Foto: Emanoele Daiane

Uma sentença de morte. Desta forma, a servidora pública Leiry Maria Rodrigues, de 54 anos, classifica o resultado do exame que revelou que ela convivia com o vírus HIV em 11 de agosto de 1989, aos 25 anos.

Na época, não havia muitos esclarecimentos sobre o assunto e tampouco tratamento eficaz. Então, a expectativa de vida para aqueles que possuíam o vírus não passava de um ano.

“O médico me disse que não havia nada a ser feito. Eu questionei: ‘então vou esperar morrer?’. Ele disse que era ‘mais ou menos isso’. Eu completei: ‘a única prevenção que posso fazer é comprar um caixão e colocar atrás da porta?’. Novamente, ele me disse que era ‘mais ou menos isso'”, relata Rodrigues, que convive com o vírus há quase 30 anos.

Ela foi infectada por um namorado com quem ficou por dois anos. “Ele morreu, em decorrência da Aids, e o médico pediu que eu fizesse o exame. Sempre me cuidei, mas como era um relacionamento sério, deixamos de usar preservativo”, revela.

Desde a descoberta do vírus, ela nunca deixou de trabalhar, teve uma filha – que nasceu sem o vírus – e começou a cursar psicologia, curso no qual se formará neste ano.

“Levo uma vida normal, apesar de tomar medicamentos e ter algumas poucas complicações em razão do HIV. Nunca pensei que fosse viver tanto tempo. Costumo dizer que sou uma sobrevivente.”

Entre 1980 e 1990, conforme o Ministério da Saúde, foram notificados 25.513 casos de Aids no Brasil, 80% deles em homens.

As pessoas que sobreviveram ao vírus nos anos 80 viram amigos e parentes morrerem em decorrência de Aids – doença desenvolvida quando o sistema imunológico é afetado pelo vírus HIV. Elas carregavam consigo a certeza de que teriam o mesmo destino em poucos meses. Hoje, 30 anos depois, se consideram vitoriosos por estarem vivos.

 

A terapia antirretroviral é uma combinação de três remédios ou mais para impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano

A terapia antirretroviral é uma combinação de três remédios ou mais para impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano
Foto: SCIENCE PHOTO LIBRARY

O infectologista Alexandre Naime Barbosa, membro do Comitê de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que muitos sobreviveram ao HIV em razão do modo como seus organismos reagiram ao vírus. “Todos nós somos programados, ao nascer, para termos respostas distintas, mais forte ou mais fracas, a diferentes doenças. Há pessoas que se infectam pelo vírus, mas o próprio sistema imune consegue controlá-lo e por isso têm a quantidade de vírus muito baixa. Elas podem passar a vida toda sem descobrir que são portadoras do HIV. Isso explica porque muita gente se infectou na década de 80 e está bem até hoje.”

“Porém, 90% das pessoas infectadas ficam doentes em um período de seis a oito anos, caso não se tratem. Há também aquelas que em menos de dois anos após adquirir o vírus já sofrem complicações”, diz.

Apesar de terem sobrevivido e levarem uma vida normal, aqueles que convivem com o HIV há quase três décadas carregam consigo mazelas em decorrência do vírus e das décadas de tratamento. Muitos se assustam com a aparente tranquilidade com a qual gerações mais novas têm lidado com o tema.

“Certa vez, estava em um congresso e um médico falou que o HIV era igual à gripe. Mas não é verdade. A gripe é um probleminha, enquanto o HIV é um problemão, para a vida toda”, relata o escritor Beto Volpe, que contraiu o vírus em 1989, aos 28 anos.

Os anos 80

O HIV foi descoberto em 1981, ano em que foram descritos os primeiros casos em humanos. Até o início dos anos 90, em razão das poucas opções de tratamento, as pessoas que eram infectadas pelo vírus costumavam ficar doentes com frequência. Com a fragilidade na saúde, as doenças oportunistas eram responsáveis por grande parte das mortes.

 

"Uma vez um médico falou que o HIV era igual à gripe. Mas a gripe é um probleminha, enquanto o HIV é um problemão, para a vida toda"

“Uma vez um médico falou que o HIV era igual à gripe. Mas a gripe é um probleminha, enquanto o HIV é um problemão, para a vida toda”
Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o Ministério da Saúde, assim como hoje, o perfil da epidemia de HIV/Aids no Brasil na década de 80 era composto majoritariamente por homens que faziam sexo com outros homens. Havia também um grande número de hemofílicos, infectados durante transfusões de sangue, além de usuários de drogas injetáveis. As mulheres passaram a representar uma parcela relevante entre os infectados apenas no início da década de 90.

Os medicamentos antirretrovirais começaram a surgir ainda na década de 80, com o objetivo de impedir a multiplicação do vírus causador da Aids e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Segundo o Ministério da Saúde, o primeiro medicamento foi o AZT, criado em 1987. No entanto, longe de representar uma solução, ele apenas garantia uma sobrevida de até dois anos ao paciente, já que não era capaz de bloquear completamente a ação do HIV no organismo.

As dificuldades de tratamento eram conhecidas por Volpe, hoje com 56 anos, que já havia perdido amigos em decorrência do vírus. “Dos anos 70 ao início dos 80, eu não costumava usar camisinha, não era comum. Mas depois da descoberta do HIV, passei a usar. Cheguei a fazer um teste em maio de 1989, que deu negativo. Mas tive um envolvimento com outro rapaz, ele pediu para deixarmos de usar camisinha e acabei cedendo. Depois, ele descobriu que estava com o vírus. Eu também”, narra.

Logo após a descoberta do vírus, Beto obteve licença médica no trabalho em um banco de São Paulo. “Isso era concedido imediatamente. Muita gente foi aposentada compulsoriamente por conta do HIV”, diz. Em seu caso, a aposentadoria chegou no início dos anos 90.

Ele conta que o resultado positivo para o HIV fez com que mudasse o modo como enxergava a vida. “Era uma morte anunciada. Então passei a curtir o hoje, porque poderia não haver amanhã. Acredito que viver com o vírus é como qualquer pessoa deveria viver, mesmo que não o tenha. É aproveitar as coisas como se não houvesse amanhã, se alimentar corretamente e fazer exercícios”, diz.

A sensação de não ter tempo e a necessidade de aproveitar a vida também surgiram na jornalista e escritora Valéria Polizzi, hoje com 46 anos, que descobriu ter HIV, em 1989, aos 18 anos. Ela deixou de fazer planos a longo prazo, pois acreditava que poderia morrer em poucos meses. “Era ano de vestibular, mas acabei indo para Nova York, para morar com uma tia. Depois voltei, fiz vestibular e passei para Letras. Mas ainda era muito forte a ideia de que iria morrer em pouco tempo. Eu pensava: ‘não vai dar tempo’. Acabei largando o curso. Depois fiz teatro e, anos mais tarde, decidi cursar jornalismo.”

“Até hoje, tenho problemas em fazer planos a longo prazo. Se alguém me falar sobre algo no fim do ano, penso que o fim de 2018 não existe. Vamos ficar apenas com o primeiro semestre, por enquanto, que está ótimo”, declara.

 

Polizzi deixou de fazer planos a longo prazo, pois acreditava que poderia morrer em poucos meses

Polizzi deixou de fazer planos a longo prazo, pois acreditava que poderia morrer em poucos meses
Foto: Arquivo Pessoal

A ausência de tratamentos trazia incerteza às pessoas que descobriam conviver com o HIV nos anos 80 e 90. O arquiteto e arteterapeuta José Hélio Costalunga, de 66 anos, que descobriu estar infectado com o HIV em 1988, se recorda dos obstáculos encontrados após receber o exame positivo. “O médico me disse que eu deveria esperar o incerto. Faziam acompanhamento da minha imunologia e outros exames para ver como estava a minha situação. Era apenas isso.”

“Eu ‘toquei o barco’ e segui em frente. Preferi enfrentar a realidade da vida. Pensei: ‘se tiver que morrer, morri. Se tiver que viver, vivi’. E assim fui vivendo”, completa.

O arquiteto foi infectado pelo HIV durante um namoro, aos 36 anos. O parceiro dele contraiu o vírus por volta de 1985 e somente foi descobrir cerca de três anos depois. “Ele começou a adoecer, emagrecer e descobriu que havia sido infectado. Em seguida, fiz o teste e deu positivo também.” Além da incerteza sobre o vírus, Costalunga também teve de lidar com o estado terminal do parceiro. “Foi uma situação muito difícil, mas fiquei ao lado dele até o período em que faleceu”, conta.

Costalunga afirma ter levado uma vida normal, sem grandes complicações com o vírus, até o ano de 1995, quando teve a primeira doença oportunista. “Eu tive uma tuberculose ganglionar e precisei me tratar.” Ele somente começou a tomar os medicamentos antirretrovirais no ano seguinte. “Meus clientes fizeram uma vaquinha e um deles, que estava indo passear em Nova York, comprou o coquetel. Foi assim que tomei a minha primeira dose”, relata.

O coquetel de medicamentos antirretrovirais – feito por meio da combinação de três drogas – foi desenvolvido em 1996. No mesmo ano, os remédios passaram a ser distribuídos gratuitamente no Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Desta forma, houve redução nos números de mortes em decorrência da Aids.

 

'Preferi enfrentar a realidade da vida. Pensei: 'se tiver que morrer, morri. Se tiver que viver, vivi', disse José Hélio Costalunga

‘Preferi enfrentar a realidade da vida. Pensei: ‘se tiver que morrer, morri. Se tiver que viver, vivi’, disse José Hélio Costalunga
BBC BRASIL

“Esses medicamentos mudaram o modo como o HIV era tratado, porque, pela primeira vez na história da medicina, pacientes ficaram com a carga viral indetectável no sangue, ou seja, zeraram a taxa de HIV. Assim, passaram a ter uma qualidade de vida muito boa e uma expectativa de vida muito próxima ou igual à de pessoas sem o vírus”, diz o infectologista Alexandre Naime.

Para a escritora Valéria Polizzi, os coquetéis foram fundamentais para conviver com o HIV. “Eu tive uma tuberculose em 94, quando estava nos Estados Unidos. Então, fiz tratamento com o AZT. Porém, o efeito dele era curto e meses depois tive de parar de tomar, porque não me ajudava mais. Somente em 97, quando comecei a tomar o coquetel, as coisas melhoraram e consegui me estabilizar”, detalha.

“Eu cheguei a parar de tomar um dos tipos de medicação do coquetel, porque passava mal o dia inteiro. Cheguei a falar ao meu pai: ‘prefiro morrer a levar uma vida assim’. Mas isso varia de pessoa para pessoa. Depois, fui me adaptando aos medicamentos ao qual meu organismo reagiu melhor”, acrescenta.

Envelhecimento precoce

Uma das dificuldades destacadas por aqueles que convivem com o HIV há décadas é o envelhecimento precoce. Eles afirmam terem desenvolvidos doenças que são comuns a pessoas com idades mais avançadas que as suas. José Hélio Costalunga possui neuropatia periférica, que fez com que ele perdesse o equilíbrio. “Hoje em dia, passo o tempo inteiro tonto. Ando de bengala. Isso é para o resto da vida.”

“Essa perda de equilíbrio acontece com pessoas de 75 a 85 anos, mas comigo foi aos 65, em razão do envelhecimento precoce causado pelo HIV. Há muitos estudiosos que estão considerando que as pessoas com HIV se tornam idosas aos 50 anos”, diz.

Beto Volpe também revela ter tido algumas doenças precocemente. “Tive catarata aos 38 anos. Conheço gente que teve osteoporose aos 27. Tenho várias mazelas como triglicérides, colesterol e glicemia alterados, desde a faixa dos 30 anos”, pontua.

Conforme o infectologista Alexandre Naime, o envelhecimento precoce é recorrente em alguns pacientes que vivem com HIV em razão de uma inflamação crônica causada pelo vírus. “É como se o indivíduo passasse por desafios imunológicos e respondesse com uma série de marcadores inflamatórios, que causam efeitos colaterais. Essa inflamação, com o passar dos anos, aumenta os riscos de doenças. Isso é muito mais intenso naqueles sem tratamento ou que não fazem o tratamento corretamente. Porém, também pode ocorrer, em menor quantidade, naqueles que tomam os medicamentos corretamente e possuem carga viral indetectável.”

“Entre esses problemas precoces estão acidente vascular cerebral, infarto, diabetes, hipertensão, fibrose, entre outros”, acrescenta.

Para José Hélio Costalunga, a medicina enfrenta um novo dilema relacionado ao HIV: como tratar os sobreviventes da epidemia dos anos 80.

“O nosso problema agora é o envelhecimento precoce. Os remédios ativam isso ainda mais. O que cura, mata. Ele ajuda, mas também causa transtornos, como qualquer outra medicação”, afirma.

Os efeitos colaterais das drogas se acumulam. Leiry Rodrigues diz sofrer com a lipodistrofia – distribuição anormal de gordura – e lipoatrofia – perda de gordura em algumas áreas do corpo. Já Polizzi passou a sofrer de inflamação renal. Por meio de comunicado, em resposta à BBC Brasil, o Ministério da Saúde reconhece que há problemas decorrentes do longo período de utilização dos medicamentos. “Podem ocorrer algumas adversidades como toxicidade óssea ou renal, dislipidemia – níveis elevados de gordura no sangue -, resistência à insulina ou doença cardiovascular.”

No entanto, a pasta afirma que os antirretrovirais adotados atualmente possuem menos efeitos considerados graves ou intoleráveis que os utilizados anos atrás. “Os benefícios da supressão viral e a melhora na função imunológica, como resultado da terapia antirretroviral, superam largamente os riscos associados aos efeitos adversos de alguns desses medicamentos.”

O preconceito e a banalização

Além dos efeitos da doença e dos medicamentos sobre o corpo, os pacientes de HIV tem que lidar com um binômio de reações que os preocupa: o preconceito em relação à sua condição e a banalização do vírus. “Os próprios médicos diziam que era melhor não contar pra ninguém, senão nossa vida acabava”, conta Valéria Polizzi.

Com Volpe, o preconceito se manifestou até mesmo no consultório médico, nos anos 90. “Quando cheguei, o médico não deixou que eu o cumprimentasse e me disse para ficar atrás de uma linha amarela. Ele havia feito uma faixa, a dois metros, para as pessoas com HIV que iam lá.”

Desde 2014, o Brasil possui Lei Antidiscriminação, em 2014, que tornou crime qualquer tipo de discriminação aos portadores do vírus da imunodeficiência e a doentes de Aids.

Se os 30 anos na companhia da doença não reduziram o preconceito para quem vive com HIV, o avanço no tratamento e a diminuição do tamanho do tabu tem causado uma certa banalização da questão. A primeira geração de infectados assiste com preocupação ao descaso de alguns jovens em relação à prevenção: 52,5% dos casos atuais de HIV são diagnosticados na faixa etária entre 20 e 34 anos de idade.

De acordo com o Ministério da Saúde, os jovens homossexuais figuram entre a parcela de pessoas em que houve os maiores aumentos de registros de Aids no Brasil.

“Do ano de 2006 para o de 2016, a taxa de detecção de casos de AIDS por 100 mil habitantes quase triplicou entre os homens de 15 a 19 anos. Entre os de 20 a 24 anos, a taxa mais que duplicou”, diz o órgão.

“Hoje, o descaso é muito grande, por conta dessa banalização. Muita gente pensa ‘tem terapia, então é só tomar que está tudo bem’. Mas as coisas não são assim tão simples”, declara Rodrigues.

 

"Muita gente pensa 'tem terapia, então é só tomar que está tudo bem'. Mas as coisas não são assim tão simples", disse Leiry

“Muita gente pensa ‘tem terapia, então é só tomar que está tudo bem’. Mas as coisas não são assim tão simples”, disse Leiry
Foto: Emanoele Daiane

Um dos temores de José Hélio Costalunga, que atua em movimentos sociais em favor de pessoas com HIV, é que o Governo Federal deixe de entregar os medicamentos gratuitos.

“No ano passado houve falta de medicação no Brasil. Muitos jovens pensam que está tudo lindo e maravilhoso, porque existe tratamento, mas as coisas não estão assim. Falta medicação e a gente não sabe o que vai ser daqui pra frente, ainda mais com as mudanças econômicas que estão acontecendo no Brasil”, declara.

O Ministério da Saúde, porém, nega que exista a possibilidade de falta de remédios contra o HIV no Brasil. A pasta justifica que dificuldades com logística na distribuição de medicamentos podem ter prejudicado algumas regiões.

Expectativas para o futuro

Para quem sobreviveu aos anos 80 com o HIV, todos os dias é classificado como uma nova oportunidade.

Valéria Polizzi, que acreditava que não chegaria aos 19 anos, ainda se surpreende quando se lembra do momento em que descobriu o vírus.

“A gente não ia sobreviver. Se alguém me falasse que eu chegaria aos 45 anos, não acreditaria. É duro chegar assim, tendo que tomar remédios todos os dias, com uma série de efeitos colaterais. É um pé no saco. Mas é o que a gente tem.”

Ela torce para que os estudos avancem e que as novas gerações tenham, cada vez mais, menos efeitos colaterais.

José Hélio Costalunga afirma ter aprendido muito sobre a vida desde que descobriu o vírus.

“Eu entendi, na real, o que um mestre dizia: ‘você só vai aprender a viver quando souber o que é morrer’. A gente só entende a vida quando descobre o que é a morte. Passei a entender que o momento é agora, nem antes nem depois.”

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A professora do curso mais popular da Universidade Yale ensina 5 exercícios que te farão mais feliz

Laurie Santos é a professora da famosa aula de psicologia e boa vida

Laurie Santos é a professora da famosa aula de psicologia e boa vida
Foto: Schirin Rangnick / Universidad de Yale

“A ciência nos mostrou que ser feliz requer um esforço intencional”, diz a psicóloga Laurie Santos.

“Não é fácil, você tem que dedicar tempo”, diz ela em entrevista à BBC Mundo, o serviço espanhol da BBC.

A americana, que tem ascendentes vindos de Cabo Verde, é professora na Universidade Yale em New Haven, nos Estados Unidos, onde dá aula de “psicologia e boa vida”.

Com mais de 1.200 alunos matriculados, seu curso se tornou recentemente o mais popular nos três séculos da história de Yale.

Santos baseia sua didática na psicologia positiva, que é a área responsável por estudar a felicidade.

“A psicóloga Sonja Lyubomirsky compara ser feliz com aprender a tocar violino ou a se tornar um astro do futebol”, diz Santos. “Não é algo que você simplesmente possa fazer. Tem que praticar para ser cada vez melhor”.

Com base nessas premissas, Santos ensina seus alunos a “hackear-se”, isto é, reprogramar os próprios hábitos para conquistar uma vida mais saudável e satisfatória.

Estas são algumas das tarefas que os alunos de Santos têm de cumprir para tentar ser mais felizes:

1. A lista da gratidão

Durante uma semana, todas as noites, os alunos devem escrever as coisas pelas quais eles se sentem gratos.

Professora orienta seus alunos a escreverem as coisas pelas quais são gratos e diz que eles tendem a ser mais felizes com o tempo

Professora orienta seus alunos a escreverem as coisas pelas quais são gratos e diz que eles tendem a ser mais felizes com o tempo
Getty Images

Então eles criam sua lista da gratidão, com agradecimentos a pessoas e instituições e reconhecendo as próprias conquistas pessoais ou experiências de vida.

“Parece bem simples, mas vimos que aqueles que fazem este exercício regularmente tendem a ser mais felizes”, diz Santos.

2. Dormir mais e melhor

Segundo Santos, esse exercício é muito difícil para seus alunos, já que em Yale eles devem cumprir uma grande quantidade de tarefas.

Professora desafia seus alunos a dormirem 8 horas por noite durante uma semana

Professora desafia seus alunos a dormirem 8 horas por noite durante uma semana
Getty Images

O desafio é dormir 8 horas por noite por uma semana.

“Parece bobo, mas sabemos que o aumento do sono diminui a depressão e aumenta a atitude positiva”, diz Santos.

3. Meditar

A tarefa consiste em meditar 10 minutos por dia.

Santos explica que os estudos mostram que a meditação e outras práticas que aumentam a atenção plena podem ajudá-los a ser mais felizes.

4. Mais tempo para compartilhar com a família e amigos

Santos também menciona que a pesquisa mostrou que as coisas que normalmente trazem felicidades têm a ver com relacionamentos interpessoais e conexões sociais.

“Tenha tempo para estar com seus amigos e sua família, aproveitar o momento, estar consciente e conhecer o mundo”, afirma.

Pesquisa revelou que riqueza está mais relacionada com o tempo que a pessoa tem do que com o dinheiro

Pesquisa revelou que riqueza está mais relacionada com o tempo que a pessoa tem do que com o dinheiro

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“Muitas vezes, relacionamos a riqueza com a quantidade de dinheiro que temos”, explica Santos, “mas a pesquisa mostrou que o sentimento está mais relacionado com quanto tempo você tem”.

“Se você está sacrificando seu tempo para trabalhar mais e ganhar mais dinheiro, isso não é um bom comportamento. Seria melhor aumentar a quantidade de tempo livre que você tem”, conclui a professora.

5. Menos redes sociais e mais conexões reais

Para Santos, também é importante não se deixar enganar pelas sensações de satisfação oferecidas pelas redes sociais.

“A pesquisa mostra que as pessoas que mais usam redes, como o Instagram, tendem a ser menos felizes do que aquelas que as usam menos. Isso significa que essas redes sociais não estão nos tornando tão felizes quanto pensamos”.

Professora diz que as redes sociais não estão nos deixando tão felizes quanto pensamos

Professora diz que as redes sociais não estão nos deixando tão felizes quanto pensamos
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Aparentemente, o grau e a profundidade da interação nessas plataformas não supre a necessidade de sociabilidade, além de consumir tempo que poderia ser mais bem empregado com outras atividades que também produzem felicidade.

“Você precisa se desconectar das redes sociais e dormir um pouco mais”, sugere Santos.

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A atual vacina de febre amarela é usada desde a década de 1930 

Vacina é segura, mas precisa mudar

Vacina é segura, mas precisa mudar
Paulo Whitaker/Reuters – 02.02.2018

 A ressurgência da febre amarela no Brasil trouxe à tona a necessidade de desenvolver uma nova vacina contra a doença, com menos risco de efeitos adversos. A vacina atual, usada desde a década de 1930, é comprovadamente segura, mas há casos raros de pessoas doentes que chegam a morrer após a injeção.

“Sim, estamos preocupados. Não estamos satisfeitos”, disse ao Estado d eS. Paulo  o especialista Akira Homma, assessor científico sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), instituição responsável pelo desenvolvimento e produção da vacina da febre amarela no Brasil. Pesquisas já estão em curso para o desenvolvimento de um novo imunizante, mas levará ao menos uma década para se chegar a um produto final, testado e aprovado.

Até lá, a vacina atual continuará a ser usada. “O custo-benefício é muito positivo”, afirma Homma, ressaltando que os riscos são bem menores do que os da doença – cuja taxa de mortalidade, nos casos mais graves, beira os 50%. Efeitos colaterais simples, como mal-estar, febre e dor de cabeça são relativamente comuns, ocorrendo em até 5% dos vacinados. Reações adversas graves, que incluem a própria febre amarela (ou doença viscerotrópica aguda), são bem mais raras, com estatísticas que variam de 1 a cada 400 mil até 1 milhão de aplicações, dependendo do estudo e da população em questão.”São casos extremamente raros, porém extremamente graves”, diz o virologista Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA), que também defende o desenvolvimento de uma nova vacina. “Temos vários grupos no Brasil capazes de fazer isso.”

No Estado de São Paulo, pelo menos 3 pessoas morreram por reação à vacina desde janeiro de 2017, em um universo de 7 milhões de pessoas vacinadas, segundo dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde. Outros casos estão em investigação. “É um risco aceitável nas condições atuais. Mas vale a pena, sim, investir em uma vacina mais moderna”, reforça o imunologista Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Histórico

A vacina usada hoje é, essencialmente, a mesma que foi desenvolvida pelo infectologista Max Theiler nos Estados Unidos, no fim da década de 1930 – que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina, em 1951. O risco decorre do fato de ela utilizar um vírus vivo, porém atenuado (enfraquecido), que é inofensivo para a maioria das pessoas, mas pode ser perigoso para alguns grupos de risco, como idosos e pessoas com deficiência imunológica. Vários imunizantes, como os de raiva, rubéola, pólio e sarampo, utilizam vírus vivos atenuados.

A cepa atenuada da febre amarela, conhecida como 17DD, foi obtida por um processo biológico de sucessivas passagens do vírus por diferentes meios de cultura, de modo a enfraquecer sua virulência. Uma alternativa para aumentar a segurança da vacina seria produzir uma versão mais atenuada – como se tenta na vacina contra o zika.

O problema é que, quanto mais atenuado o vírus, mais fraca é a resposta imunológica. “Menor é a proteção”, diz o pesquisador Luís Carlos Ferreira, do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Nesse caso, pode ser necessário aplicar várias doses – criando desafios logísticos, econômicos e de adesão.

O mesmo vale para algumas vacinas que utilizam apenas parte dos vírus, ou vírus inativados (mortos), que é uma das estratégias sendo pesquisadas pela Fiocruz. Estudos iniciais, realizados em modelos animais, mostram que a vacina funcionaria dessa forma, mas com um tempo de proteção mais curto. “Vamos ver se o rendimento dessa tecnologia nos permitirá chegar a um produto”, afirma Homma. “O que se deseja é uma vacina que seja eficaz e segura ao mesmo tempo. Esse equilíbrio é difícil de encontrar”, afirma Ferreira, do ICB-USP.

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Por que o estresse pode te engordar 

Por que tendemos a atacar a geladeira quando estamos estressados?

Por que tendemos a atacar a geladeira quando estamos estressados?
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Todos nós sabemos uma das principais razões pelas quais engordamos: comer mais calorias do que as que queimamos ao longo do dia. Mas isso não esclarece por completo uma questão mais interessante: afinal, por que comemos demais em alguns momentos?

Por que eu às vezes insisto em comer aquele pedaço a mais de bolo ou de chocolate, apesar de saber que vou me arrepender minutos depois? Seria apenas gula ou há algo a mais em jogo?

Apesar de o autocontrole ser importante nessas horas, há fortes evidências de que o estresse tem seu papel em eventuais ganhos de peso.

O estresse crônico interrompe o sono e interfere no nível de açúcar no sangue. Isso aumenta a sensação de fome e a de conforto ao comer.

Essa combinação pode levar, posteriormente, a mais interrupções no sono e a níveis ainda mais altos de estresse e de concentração de açúcar no sangue.

Com o tempo, esse quadro pode resultar não só em níveis pouco saudáveis de gordura no corpo, como também no desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Estresse em laboratório

Para colocar isso à prova, Giles Yeo, membro da equipe do programa da BBC Trust me, I’m a doctor (“Confie em mim, sou médico”, em tradução livre), decidiu se submeter a um dia especialmente estressante sob a supervisão de cientistas da Universidade de Leeds.

Eles começaram pedindo a Giles que fizesse o chamado “Teste de Estresse Maastricht”.

Os cientistas o colocaram em frente a um computador e o pediram para subtrair 17 de 2.043 rapidamente. Ele errou algumas vezes – algo que, para alguém como Giles, é muito estressante.

Depois, pediram que ele colocasse a mão em uma banheira de água bem gelada e a mantivesse ali durante algum tempo. Antes e depois dos testes, a equipe mediu os níveis de açúcar no sangue de Giles.

Os níveis de açúcar no nosso sangue naturalmente aumentam quando comemos e, em uma pessoa saudável, como Giles, eles voltam ao normal em pouco tempo.

Mas o que a equipe da Universidade de Leeds descobriu é que no dia em que Giles estava sendo submetido ao teste de estresse, seus índices levaram três horas para voltar ao normal – cerca de seis vezes mais do que costumava acontecer em um dia tranquilo.

O motivo é que, quando você está estressado, seu corpo entra no modo “lutar ou fugir” – o organismo funciona como se estivesse sob ataque e libera glicose para o sangue, para fornecer energia aos músculos.

Mas se você não precisa de fato dessa energia para fugir do perigo, seu pâncreas vai liberar insulina para fazer com que o nível de açúcar no sangue volte ao normal.

O aumento da insulina – ao mesmo tempo em que o nível de açúcar no sangue cai – farão com que você fique com fome. É por isso que você mergulha nos carboidratos quando está estressado.

E a mesma coisa acontece quando você dorme mal.

Mais calorias

Um estudo recente feito por pesquisadoes da King’s College, em Londres, descobriu que pessoas que dormem mal consomem, em média, 385 calorias a mais por dia em comparação com pessoas que dormem bem – seria o equivalente à quantidade de calorias de um muffin enorme.

Crianças que não dormem bem também tendem a atacar comidas – especialmente as guloseimas mais gordurosas.

Em outro estudo recente, pesquisadores estudaram um grupo pequeno de crianças de três ou quatro anos de idade que costumavam tirar uma soneca à tarde.

As crianças não puderam dormir durante o dia e também tiveram que ficar acordadas cerca de duas horas a mais do que estavam acostumadas à noite.

No dia seguinte, elas comeram pelo menos 20% calorias a mais do que o normal – principalmente alimentos ricos em açúcar e carboidratos.

Depois disso, os cientistas permitiram que as crianças dormissem o tempo que quisessem. No dia seguinte, elas ainda comeram 14% calorias a mais do que o normal.

Então como seria possível reduzir o estresse diário?

Dormir mal pode causar estresse e contribuir para ganho de peso

Dormir mal pode causar estresse e contribuir para ganho de peso
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Respiração e outras técnicas

Uma técnica de respiração recomendada pelo sistema de saúde pública britânico (NHS) pode ser bastante eficiente. Mas, para obter benefícios maiores, é importante incorporá-la a sua rotina.

Você pode praticá-la de pé, sentado ou deitado, da maneira que for mais relaxante.

– Comece inspirando bem profundamente pelo nariz (mas sem forçar) e contando até cinco;

– Depois, expire aos poucos, pela boca, contando até cinco;

– Continue inspirando pelo nariz e expirando pela boca, de forma constante;

– Faça isso por cinco minutos.

Uma das principais recomendações para reduzir o estresse é tentar dormir bem todas as noites – um  estudo feito nos Estados Unidos mostrou que pessoas a partir dos 18 anos devem dormir pelo menos 6 horas por dia (o ideal seria de 7h a 9h de sono).

Exercício físico, técnicas de “mindfulness” e ioga também ajudam a diminuir o estresse. Mas os benefícios delas só ocorrem se você realmente gostar dessas atividades.

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Saiba quem não pode tomar a vacina da febre amarela

A vacina é considerada segura, mas existem contraindicações

A vacina é considerada segura, mas existem contraindicações
UARLEN VALÉRIO/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO/26.01.2018

São Paulo e Rio de Janeiro pretendem vacinar mais de 20 milhões de pessoas contra a febre amarela até o mês que vem. Mas nem todas as pessoas podem tomar a vacina. Existem algumas contraindicações.

Três pessoas morreram este ano no estado de São Paulo, por causa de uma reação à vacina. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, outras seis mortes ainda estão em investigação. Essa reação à vacina é extremamente rara, mas pode variar desde dor de cabeça, febre e mal estar até o desenvolvimento da doença viscerotrópica aguda, que pode levar à hepatite, insuficiência renal e causar hemorragias. Isso acontece porque a vacina é feita com o próprio vírus da febre amarela, só que de forma atenuada, ou seja, um vírus mais fraco do que aquele encontrado no ambiente.

Mesmo assim, de acordo com especialistas, a vacina é considerada segura porque a chance de uma pessoa desenvolver uma reação é muito pequena. No caso da doença viscerotrópica, por exemplo, é de 0,4 para cada 100 mil doses aplicadas.

O médico infectologista Moacir Jucá explica que “a vacinação contra a febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença. É uma vacina segura e altamente eficaz. Não é recomendada para pessoas que vivem fora das áreas de risco ou que não irão viajar pera essas áreas”.

Deve-se respeitar as contraindicações e sempre procurar assistência médica nos casos de dúvidas

Por causa deste risco pequeno a vacina não é indicada para todas as pessoas. Veja quem não pode tomar:

Crianças

A sociedade Brasileira de Pediatria divulgou uma cartilha com os cuidados que os pais devem tomar na hora de vacinar os filhos. De acordo com o documento, o uso de doses fracionadas da vacina de febre amarela pode ser feito em crianças a partir de 2 anos, desde que não apresentem condições clínicas especiais. 

O pediatra Eduardo Troster explica que crianças acima de 9 meses já podem tomar a dose cheia da vacina, de 0,5ml. “Se ela tomar a dose cheia, vale para a vida toda, não precisa fazer reforço.”

Se a criança ainda não foi vacinada, ela não pode tomar a vacina da febre amarela junto com a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) nem com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). O intervalo mínimo deve ser de 30 dias entre as vacinas.

Crianças com menos de 9 meses não devem ser vacinadas contra a febre amarela.

Pacientes com doenças cardiovasculares

De acordo com o médico cardiologista Fábio Petri, quem tem algum tipo de doença cardiovascular precisa, antes de tomar a vacina, ter certeza de que o problema está controlado.

“Há algumas situações em que a vacina deve ser avaliada com cautela em pessoas cardiopatas. Pessoas com cardiopatias que não estejam totalmente controladas, é preferível primeiro controlar a doença para então fazer a vacina. Com a doença controlada pode realizar sem contraindicações”, explica.

Paciente com doenças renais

A a Sociedade Brasileira de Nefrologia recomenda que a vacina contra febre amarela em pacientes portadores de doença renal crônica, incluindo pacientes em diálise, seja avaliada com cautela. Deve ser considerado o risco da área em que o paciente vive, ou para onde irá viajar, e a situação de imunodepressão em que se encontra.

Grávidas ou mulheres que estão amamentando

Mulheres grávidas só podem tomar a vacina depois de uma rigorosa avaliação médica. Isso porque o vírus que está na vacina pode atingir o feto.

De acordo com a médica ginecologista e obstetra Helena Cossich, o ideal é que grávidas não tomem a vacina, mesmo que morem em áreas de risco. Ela explica que “o ideal para essas pessoas, é usar roupas que protejam contra a picada de mosquitos e o uso do repelente. Especificamente para as grávidas, o ideal é o repelente Exposis ou qualquer outro de Icaridina”.

No caso das mulheres que estão amamentando, a médica explica que deve ser avaliado o risco-beneficio de acordo com o lugar onde mulher mora ou se ela terá de viajar. “Se for imprescindível a administração da vacina, o aleitamento deverá ser suspenso por 10 dias e o bebê deve receber aleitamento suplementar nesse período. É importante que a mulher continue ordenhando o leite para que a produção do mesmo não pare e ela volte a amamentar depois dos 10 dias pós-vacina”.

Mulheres que desejam engravidar devem tomar a vacina antes de começar a tentar ou antes de fazer o procedimento de inseminação artificial.

Transplantados e doadores de sangue ou órgãos

Pacientes que passaram por algum tipo de transplante não devem tomar a vacina por uma questão de segurança. A vacina é feita com microorganismos vivos e pessoas transplantadas costumam ter o sistema imunológico não tão fortalecido. Por isso, podem apresentar maior risco ao desenvolvimento de doenças e efeitos colaterais.

O ideal é que a vacina seja feita antes do transplante.

Quem é doador de sangue deve tomar a vacina antes de fazer a doação. Quem já tomou a vacina, deve esperar quatro semanas para voltar a doar sangue.

Pessoas com mais de 60 anos

Pessoas que estão acima dos 60 anos costumam ter imunidade mais baixa. Como explica a médica pós-graduada em geriatria Thaís Bertholini, “os idosos apresentam um declínio da sua função imunológica que chamamos de imunosenescência e, por isso, ficam mais expostos aos efeitos colaterais da vacina”.

A médica sugere que seja levado em consideração a relação risco x benefício da vacinação e que seja feita uma avaliação individualizada por profissional capacitado. Esse médico vai fazer uma avaliação clínica e da capacidada funcional do paciente: “Devemos levar em consideração a presença de comorbidades, que são doenças que o paciente já tem ou teve, principalmente diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, cânceres, reumatismo, artrite e HIV/AIDS – que por si só já alteram a função imunológica”.

Pessoas com sistema imunilógico deprimido

Não há risco na vacinação de pessoas saudáveis e com o sistema imunológico normal. Mas em pesssoas com o sistema imunológico deprimido, como a vacina tem o vírus vivo atenuado, pode ocorrer efeitos colaterais graves. De acordo com o médico infectologista Moacir Jucá, “a vacina é contraindicada em pacientes com imunossupressão grave de qualquer natureza: imunodeficiência devido ao câncer ou ao tratamento, a quimioterapia, pacientes com infecção pelo HIV com a imunidade baixa, pacientes em uso de drogas que diminuem a imunidade, pacientes transplantados, pacientes com lúpus, gestantes. Também é contraindicada em quem tem alergia a ovo.”

Pacientes que fazem tratamento com corticoide

Os corticóides, também conhecidos como cortisona, cortisol ou corticoesteroides, são um tipo de medicamento feitos a partir de um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais. Eles têm efeito inti-inflamatório e costumam ser usados no tratamento de problemas como asma, alergias, lúpus, reumatismo e artrite.

Esse tipo de tratamento pode alterar a função imunológica porque suprime a imunidade. Por isso estas pessoas podem ficar mais sucetíveis aos efeitos colaterais da vacina.

Pacientes com HIV

O paciente que tem o vírus HIV no organismo, mas tem a carga vital indetectável e a contagem de CD4 alta pode tomar a vacina, caso esteja sob risco de exposição. De acordo com a médica infectologista do Instituto da Criança, Heloísa Helena de Souza Marques, “se o paciente estiver com o CD4, que mede a imunidade celular, muito baixo, a recomedação é evitar lugares que sejam considerado de risco, que use repelente e roupas de manga comprida. Mas o mais importante é procurar um médico e fazer uma avaliação“.

Pessoas com alergia a ovo e gelatina bovina

Pessoas com alergia não podem tomar a vacina contra a febre amarela porque ela é cultivada em ovos embrionados de galinha. Quem explica é o médico alergista e imunologista Eduardo Longen: “Com isto a dose pode conter quantidades residuais de proteína ovoalbumina do ovo. Pacientes alérgicos a ovo podem apresentar reações desde leves urticárias na pele até anafilaxia, que é uma reação alérgica grave com risco à vida. O risco é pequeno com estudos mostrando 0,8 a 1,8 casos por 100.000 doses aplicadas, mas existe”.

No caso dos alergicos a gelatina bovina, Longen explica que essas pessoas “podem sofrer reações com vacinas fabricadas no Brasil pela BioManguinhos. Para estes, aqui no país existe a opção de realizar a vacina do laboratório fabricante Sanofi Pasteur”.

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Morre Emanuel, o adolescente cubano que tinha um enorme e raro tumor no rosto, após ser operado nos EUA

Emanuel tinha rara condição genética que provocava formação de tumores

Emanuel tinha rara condição genética que provocava formação de tumores
BBC BRASIL

Emanuel Zayas, o adolescente cubano de 14 anos que tinha um tumor de 4,5 kg no rosto, morreu na última sexta-feira, informou seu médico em um comunicado pelo Facebook após os pais do garoto darem sua permissão para que fosse anunciado publicamente seu falecimento.

Emanuel havia sido levado aos Estados Unidos por seus pais para passar por uma operação complexa e cara para retirada do tumor, com um custo total, entre medicamentos e internação, estimado em US$ 200 mil (R$ 640 mil).

“Aparentemente, o estresse fisiológico da cirurgia foi demais para sua anatomia já comprometida. Nossa esperança de salvar sua vida e dar a ele uma condição de vida melhor não se concretizou”, afirmou Robert Marx, chefe de cirurgia maxilofacial do Sistema de Saúde da Universidade de Miami, na Flórida, em sua conta no Facebook.

“A família optou por doar seu corpo para a pesquisa médica, na esperança de que se aprenda mais sobre esse mal raro e que isso ajude pessoas em todo o mundo.”
                                                                                             ‘Impotência’

Família começou a notar os sintomas quando o menino tinha 2 anos

Família começou a notar os sintomas quando o menino tinha 2 anos
BBC BRASIL

No início de janeiro, a BBC Mundo entrevistou Emanuel e seus pais, que descreveram como o adolescente desenvolveu o tumor que cobria a maior parte de seu rosto e obstruía seu campo visual, as vias nasais e a boca.

Também já não permitia que ele mantivesse o equilíbrio da cabeça ou caminhasse, além de dificultar a alimentação, o que fez com que o adolescente ficasse desnutrido.

“Tudo começou quando ele tinha 12 anos. Surgiu uma bolinha em seu nariz que pensamos que era acne, mas foi crescendo e crescendo até chegar a esse ponto”, contou então sua mãe, Melvis Vizaino.

Ela e seu marido saíram em busca de possíveis soluções na ilha, mas não encontraram respostas. “É horrível ver um filho se deformar assim. Estávamos desesperados com nossa impotência.”

Em 2013, um grupo de missionários americanos visitou a igreja evangélica que estava ajudando a família na Província de Villa Clara, no centro de Cuba. Eles conheceram o caso e fizeram a ponte com especialistas nos Estados Unidos.

                                                                                              Um caso atípico

Médicos temiam pela vida de Emanuel se ele não fizesse a operação

Médicos temiam pela vida de Emanuel se ele não fizesse a operação
BBC BRASIL

Quase quatro anos depois, seus pais conheceram Marx, que havia operado tumores semelhantes. O médico americano diagnosticou uma condição genética rara e não hereditária: a displasia fibrosa poliostótica.

Isso faz com que um tecido fibroso cresça no lugar de um osso, o que facilita deformações nas extremidades do corpo e o surgimento de câncer – um tumor já havia sido retirado de seu quadril quando ele era bem pequeno.

Emanuel passou a ser tratado para inibir o surgimento de novos tumores, mas, quando ele entrou na adolescência, surgiu a protuberância em seu nariz. “É um caso atípico e repleto de riscos, mas a operação é necessária”, disse na época.

Temia-se que o tumor obstruísse sua boca, única via que restava para ele se alimentar ou respirar, e que o peso de sua cabeça levasse a uma fratura fatal em seu pescoço. Emanuel foi operado em 12 de janeiro no Hospital Jackson de Miami em uma longa cirurgia.

“Na noite anterior, visitei Emanuel e vislumbrei uma esperança a partir dos reflexos de suas pupilas e do seu tônus muscular facial. Mas fui informado na manhã seguinte que sua condição piorou bastante, seus rins e fígado falharam”, publicou Marx.

Emanuel havia estudado até o ano passado, quando o tumor impediu que continuasse frequentando a escola. Dizia que o que mais queria fazer quando não tivesse mais o tumor era voltar a estudar. Queria ser arquiteto ou cientista de computação.

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Febre amarela urbana foi erradicada com política truculenta há 111 anos

Febre amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti

Febre amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti
Thinkstock

No fim do século 19, as condições de saneamento nos principais centros urbanos do País eram insalubres. Mesmo na antiga capital, o Rio, o problema era grave e motivo direto das recorrentes epidemias de febre amarela. A situação era tão séria que muitos navios estrangeiros simplesmente evitavam aportar por aqui. O Brasil recebeu a alcunha de “túmulo dos estrangeiros”.

Rodrigues Alves assumiu a Presidência da República em 1902 disposto a mudar radicalmente aquela situação. Já no ano seguinte, Oswaldo Cruz foi chamado para assumir a diretoria-geral de Saúde Pública, um cargo similar ao de atual ministro da Saúde. Sua missão era acabar de vez com a febre amarela. O médico logo criou o Serviço de Profilaxia, que colocou nas ruas as chamadas brigadas de mata-mosquitos — agentes sanitários que tinham por objetivo eliminar os focos do vetor da época, o Aedes aegypti. O modelo de ação era autoritário: agentes entravam à força nas casas para destruir os locais de desova do mosquito.

Política para erradicar mosquito era truculenta

Política para erradicar mosquito era truculenta
ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

Mas surtiu efeito: em 1907 a epidemia foi considerada erradicada. Desde o fim dos anos 1920, praticamente não houve nenhum surto epidêmico nas cidades. E desde 1937 a vacina está disponível. O último registro oficial de transmissão do vírus em uma cidade brasileira é de 1942. “A população era muito menor do que hoje, e a política sanitarista era totalmente truculenta, inaceitável atualmente”, pondera a historiadora da Ciência Danielle Sanches, da FGV (Fundação Getulio Vargas). “Mas a gente perdeu um pouco o bonde dessa busca pelo saneamento.”

Na avaliação do historiador Marcos Cueto, da Casa de Oswaldo Cruz, passou a predominar no País uma atitude passiva e tolerante. Segundo o também editor científico da revista História, Ciências e Saúde — Manguinhos, não houve uma política de vacinação entre a população urbana justamente no momento em que as cidades mais cresceram. “A febre amarela urbana inspira um pânico por causa dessa memória coletiva, essa lembrança inconsciente desses tempos calamitosos da epidemia urbana”, afirma o historiador Jaime Benchimol, da Fundação Oswaldo Cruz. “E existe um risco de fato de uma volta da doença. Temos conhecimento de sobra, mas não temos é vontade política de enfrentar a situação.”

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