Sessão mostra que melhoria do país passa pelo incentivo à leitura
* Foto: Arnaldo A. de Jesus:
O jovem José Willian Santos fala da importância
da leitura na sessão especial requerida e dirigida pela vereadora Vânia Galvão
“Biblioteca não é depósito de livro, mas, sim, fonte de saber que deve ir onde houver leitor”, destacou o professor Ubiratan Castro, presidente da Fundação Pedro Calmon, ontem (23/10), na Câmara, durante uma sessão especial dedicada ao lançamento da Semana do Livro e da Biblioteca. O debate foi requerido e dirigido pela vereadora Vânia Galvão (PT).
Sempre presente nas lutas por melhorias na área de educação, a vereadora Vânia entende que a multiplicação de bibliotecas públicas e comunitárias e a disseminação de livros na sociedade são pontos fundamentais para transformar o país, fortalecer a democracia e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Consciente dos problemas de sua pasta, o secretário municipal de Educação, Ney Campello, reconheceu a carência de bibliotecas municipais em Salvador. Em contrapartida, disse que a prefeitura investiu na recuperação das bibliotecas Edgard Santos e Denise Tavares. Destacou ainda que a secretaria de Educação realizará o “Dia de leitura da família na escola”, retomando o hábito de ler dentro de casa.
Como novidade, Ney Campello disse que em novembro haverá o I Fórum de Bibliotecas Públicas de Salvador, evento que, segundo ele, visa engrandecer ainda mais o ano dedicado à leitura. O secretário também falou das aulas a céu aberto e sobre a popularização do livro nas praças da cidade. Já Ubiratan Castro, reportando à política cultural do Governo Lula, frisou que “o livro é o elemento simbólico do saber no Brasil”. Segundo o presidente da Fundação Pedro Calmon, investimentos elevadíssimos serão destinados ao Pacto Cultural proposto pelo presidente. “A meta é uma biblioteca informatizada em cada município, com sala multiuso e recursos para a compra de livros”, informou Ubiratan Castro.
A valorização do conhecimento e o desafio de acabar com as mazelas deixadas de herança foram apontados por Paulo Costa Lima, presidente da Fundação Gregório de Mattos, como pontuações genéricas na luta por uma sociedade melhor no campo da cultura. “A luta passa pela resignificação do conceito de cultura, uma cultura que é ferramenta de descoberta e que valoriza cada indivíduo. É dentro deste pensar que devemos ver o livro e as bibliotecas”, destacou Paulo Lima.
Para o jovem José Willian Santos, 13 anos, estudante do Colégio Antonio Vieira, a leitura transformou a sua vida. “Dedico entre uma e duas horas de meu tempo para ler e a cada leitura minha mente viaja nas histórias e nos personagens. Quando termino a leitura sinto a sensação de vitória”, confessou.
Rodrigo Rocha, representando a Biblioteca Comunitária do Calabar, pediu mais atenção dos governos às bibliotecas comunitárias, que, segundo ele, “tem suprido as carências das escolas”. Ao criticar o fato de não ter um representante das bibliotecas comunitárias na mesa de trabalho, teve o seu pleito atendido pela vereadora Vânia Galvão. O cordelista Antonio Mendes também falou da importância das bibliotecas comunitárias.
Participaram da sessão, compondo a mesa de trabalho, a vereadora Olívia Santana (PC do B), presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer da Câmara; Lídia Maria Batista, diretora do Instituto de Ciência da Informação da Ufba, que representou o reitor da Ufba Naomar Almeida; Amélia Teresa, vice-reitora da Uneb, Gismália Mendonça, representando o reitor da Unifacs; Antonio Edilberto santiago, presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia da 5ª Região; e Solange Mattos, diretora do sistema de Bibliotecas Públicas do Estado da Bahia.
A sessão especial foi aberta com uma performance do poeta Marcos Peralta que declamou três poemas de Castro Alves (Ode ao Dois de Julho, O Gondoleiro do Amor e O Livro e a América) e um fragmento do épico verso de O Navio Negreiro.