A presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em Salvador, Vânia Galvão, rebateu as recentes declarações da deputada estadual (PMDB) e primeira-dama da capital baiana, Maria Luíza Barradas Carneiro, que criticou o partido em vários aspectos. A vereadora discorda da acusação da primeira-dama de que o PT tenha traído o PMDB ao sair da coalizão de apoio ao governo do prefeito João Henrique e de que o governador Jacques Wagner tenha sugerido, no ano passado, ao prefeito João Henrique para ele se transferir do PDT para o PMDB.
Para a Líder do PT na cidade, aqueles que acusam a legenda de traição por sair da coligação da atual gestão municipal não têm uma visão política mais apurada para perceber mais precisamente os fatos. “Fizemos uma aliança política com o prefeito. Nossos secretários deram uma grande contribuição à atual administração pública municipal. Nunca se investiu tanto na área de saúde em Salvador como ultimamente, isso tudo por causa do Governo Federal. Agora, precisa que o prefeito cumpra o que determina a Constituição, que é a aplicação de 15% do orçamento municipal na área de saúde. Foi através do Governo Federal que se criou o Samu-192. Isso não é uma invenção da prefeitura de Salvador. O Samu é um programa do Governo Federal implantado em Salvador assim como os CEAOs (Centros de Atendimento Odontológicos), a Farmácia Popular e a ampliação do Programa de Saúde da Família (PSF)”, destacou. Vânia Galvão lembra ainda que essas iniciativas são contribuições do PT ao município que vão continuar porque a responsabilidade do PT é com o povo e com a cidade de Salvador.
Sobre as declarações decorrentes da saída do PT da prefeitura dando conta que o partido teria um fracionamento interno que prejudica sua atuação política, Vânia Galvão frisa que, na verdade, o que existe dentro do partido são divergências políticas normais em qualquer instituição política democrática. “O PT é um partido plural que debate suas idéias, mas, no momento, que se define vai a campo de forma unida e não desfacelado”, completa. A presidente do Diretório Municipal do PT de Salvador esclarece que a iniciativa da legenda surgiu em decorrência da falta de compromisso efetivo do prefeito João Henrique com os partidos aliados em relação às questões prioritárias para a cidade. “O problema não é o fato do prefeito não está bem nas pesquisas. O problema é que João Henrique resolveu se aliar com o capital imobiliário de Salvador para atender aos interesses de grandes construtoras e não o do povo da cidade. Nunca conseguimos fazer com que o prefeito observasse a necessidade de constituição de um Conselho Político. Não que se quisesse intervir e decidir pelo chefe do Executivo, mas para que, no Conselho Político, fosse possível debater as grandes questões da cidade e decidir em conjunto com o prefeito, verificando as grandes prioridades a serem realizadas”, defendeu.
A vereadora avalia que o prefeito não teve capacidade política para agregar os partidos aliados, e que, por esse motivo, vários deles, como PC do B e PSB, estão lançando candidatos a prefeito nas próximas eleições. “No caso do PDDU, o prefeito deu uma guinada à Direita. Sempre tivemos responsabilidades e tivemos um lado. Nunca vacilamos em relação às nossas posições”, ressalta. Sobre a declaração de que “o PT da Bahia não é o PT do presidente Lula”, Vânia Galvão avalia que o argumento parte de quem desconhece completamente o Partido dos Trabalhadores. “É não ter conhecimento da nossa vida partidária. O PT da Bahia é o mesmo partido do presidente Lula. É o mesmo partido do governo Wagner. O partido é um só. Agora, os que assim afirmam têm de saber diferenciar o que é partido e o que é governo”, definiu.